Vovó Eva
18 de Maio de 1936 - 26 de Março de 2026
Eva de Zola. Vovó. Mãe da minha mãe. Eu já era da vovó desde do tempo que minha mãe crescia na sua barriga. Dentro do seu útero lá estava eu. Enquanto minha mãe crescia em sua barriga, todos os óvulos da minha mãe estavam lá. Quantos netos. Quantas vidas a partir de você Vovó. Já até perdi a conta de quantos netos vieram, dos bisnetos. Sua marca está para sempre em mim.
Férias na casa da Vovó. Eu me sentia pra lá de especial na casa da minha avó durante as férias de Janeiro. Andando pelas ruas de Caraí ao lado da minha avó, tão popular, todos a conheciam, indo à feira, indo a sua procura no mercado por que ela sempre acordava mais cedo e eu ia atrás pra acompanhá-la. As vezes ela já tinha até voltado.
Gostava de sair da cama quando a casa ainda estava silenciosa, só se ouvia barulho na cozinha dos vários cafés saindo fresquinho para as 4 garrafas de café. Existe atenção melhor do que ganhar atenção da vovó as 7 da manhã? Vitamina de banana, biscoito, pão, leite, tudo que eu quisesse comer ao meu alcance. Vovó era forte e gerenciava aquela casa como ninguém. Tinha assistentes, cada uma para uma coisa, roupa lavada no rio, um quartinho especial com fornos e as travessas para os biscoitos fresquinhos, pão de Natal? A vasilha nunca ficava vazia. Sempre abastecida, aquilo parecia mágica. Lá em baixo no tanque toda aquela louça sendo lavada, uma tábua de madeira de baixo de um lindo e farto pé de uva as louças secavam, e eu e Lara sempre a procura de uma panela velha para brincar de casinha.
Invadíamos sua dispensa a procura de uma panela ou duas, entrávamos nas casinhas lá fora a procura de batatas e outros ingredientes. Vovó via, as vezes pegava a panela mas dava outra em troca. Era uma cozinha que nunca parava de funcionar, nem o restaurante mais chique e mais lotado tinha uma cozinha com uma rotina tão rígida. Cafe da manhã, lanche da manhã, almoço, café da tarde, janta, lanche da madrugada.
E entre vindas e idas de tios, netos, sobrinhos, primos, convidados, vizinhos, aquela casa nunca estava vazia. Infância boa, infância completa. Tanta coisa vivida naquelas corredores, momentos felizes, tristes, dramas, brincadeiras, festas, jogo de baralho, dança, música, medos, saudades, encontros, desencontros, paixões, amores, brigas, fofocas, proibições, namoros, casamentos.
A casa da minha avó teve espaço para tudo. E era por que era a casa dela. A casa que ela comandava como ninguém. A casa era ela. Ela era a casa. A casa era viva por causa dela. Na minha memória tudo está lá do jeitinho que eu vivi. Só eu sei. Mas para mim de todas as memórias a mais bonita era quando eu chegava de BH, alguém saia do carro para abrir o portão, quando eu saia do carro lá estava ela no corredor me esperando de braços abertos para o grande abraço. O melhor abraço, o abraço de vó. Obrigada Vó. Eu te amo tanto.
Que grande honra ter sido a sua neta nesta vida. Que grande honra te dar bisnetas. Julia e Laurq vão ouvir histórias a seu respeito vovó. Elas vão saber da infância feliz que tive todas as vezes que estive com você. Gratidão vovó por ser a melhor vó. Gratidão por que eu sei que você esteve ao lado da minha mãe durante o nascimento dos meus irmãos e meu nascimento. Você veio vovó, você saiu da sua casa em Caraí e foi para a casa da minha mãe dar rede de apoio por meses. Essa tradição segue Vovó. A minha mãe veio do Brasil aos Estados Unidos para ficar comigo, viu a Julia nascer, cuidou da Ju, cuidou de mim, cuidou da casa. Como você. E hoje mais uma vez minha mãe está aqui de novo seguindo com a missão de dar pra mim, o mesmo que você deu a ela. A Laura chegou semana passada, e ela está aqui pra cuidar da gente. Como você. Obrigada vovó. Eu prometo que eu continuarei com essa tradição se Deus quiser para estar aqui para as filhas ou filhos de minhas filhas.
Te amo vovó. Vá em paz.
Thábata